


O Vinho como Construção de Valor: Cultura, Enoturismo e Identidade no Brasil
Emerson Rodrigo Greggio
A primeira vez que entendi o que o vinho poderia ser, não estava em uma degustação. Estava numa varanda, com frio, numa mesa pequena com tábua de queijo, pão velho e uma garrafa que alguém tinha trazido sem cerimônia — sem saber o produtor, sem decorar o ano, sem preparo nenhum. O vinho era nacional. Eu não sabia de onde. Mas havia algo no equilíbrio daquilo — o frio, o queijo, a conversa que não precisava ir a lugar nenhum — que fez a garrafa desaparecer antes que alguém percebesse. Ninguém falou sobre o vinho naquela noite. Todos ficaram porque o vinho estava ali.