


Antigomobilismo em Viçosa, MG: Disputa, Memória e Patrimônio Cultural
Victor de Souza Silveira, Charlene Aparecida da Silva, Ricardo Augusto Paes Ribeiro, Elton Tadeu da Silveira, Rafaela Araújo de Oliveira, Thatiane Cristina Fialho Botelho, Vanda do Carmo Lucas dos Santos, Joyce Santana Bernardo
Este estudo trata-se de um recorte de uma pesquisa que investigou o antigomobilismo como uma expressão cultural e patrimonial, analisando sua origem, evolução e impacto na preservação da memória industrial. O movimento, inicialmente restrito a colecionadores e entusiastas, se expandiu globalmente como uma forma de resistência à obsolescência programada e de valorização do patrimônio material e simbólico. No Brasil, o antigomobilismo ganhou força a partir da década de 1950, enfrentando desafios como a falta de incentivos institucionais e dificuldades de conservação. A pesquisa concentra-se em Viçosa-MG, uma cidade de médio porte, onde a comunidade antigomobilista apresenta características peculiares. Com uma abordagem qualitativa, exploratória e descritiva, o estudo investiga as motivações e narrativas dos participantes, e como esses grupos estruturam suas práticas e conferem legitimidade patrimonial aos veículos. Foram realizadas 12 (doze) entrevistas semiestruturadas com membros da Associação de Antigomobilismo de Viçosa (AAVI), do Clube do Carro Antigo de Viçosa (CCAV) e um vereador local, além de observação participante em eventos como o Encontro Sul- Americano de Veículos Antigos (ESAV). A análise de conteúdo revelou que o antigomobilismo em Viçosa equilibra aspectos afetivos, históricos e comerciais, enfrentando tensões entre preservação e mercantilização. O movimento contribui para a construção de identidades coletivas e ressignificação dos automóveis como "monumentos móveis". A pesquisa amplia os debates sobre cultura material e patrimônio industrial, destacando a importância do antigomobilismo além do colecionismo.